Há verdadeiros actos de terrorismo cultural que escapam under the grid todos os dias e desaparecem na lama de onde surgiram após algum tempo.

Não é o caso com este.
Quem já me conhecer pessoalmente ou tiver contactado comigo pelo Facebook já conhece a opinião que tenho da “editora” (use-se aqui o termo com um balde de sal) Pastelaria Estudios (ou Studios, porque às vezes aquele E desaparece sem explicação nas suas próprias publicações oficiais). É uma editora rasca regida por gente imbecil, sem a mínima vocação ou aptidão técnica para o que andam a (tentar) fazer, e sem a mais pálida ideia do conceito de Relações Públicas.

Há uns tempos decidiram-se a compilar uma colectânea de contos. Até aqui tudo bem. Pasme-se o leitor: 99 autores! 99 contos numa colectânea de um volume só. Ora, em Portugal não temos sequer 99 autores de qualidade suficiente para serem editados, quanto mais. Vá, brinco, até que temos. Mas não se encontram por concursos, de certeza (recordem o meu post antigo sobre os concursos em Portugal). Aliás, um concurso literário com 99 participantes? Onde é que isto já se viu neste país? First strike.

Depois, do nada, surgiu-nos uma capa horrenda, que podem observar em toda a sua glória kitsch e tacanha aqui:

Uma capa, como podem observar, executada com toda a mestria de um pré-adolescente que começou a aprender a utilizar o Photoshop. Uma capa cujo símbolo é, se o reconhecem, uma das faces do Cubo da série de filmes Hellraiser, e que está portanto sujeita a copyright que estes senhores de certezinha não adquiriram (até porque gostava de ver de onde lhes vinha o dinheiro para pagar a estúdios de Hollywood pela permissão. Era o belo e o bonito).

E o nome, o nome! Admire-se o título da obra, a diarreia mental sem dúvida fruto da cabeça da Srª Teresa Maria Queiroz (mais conhecida pelos seus argumentos sem sentido e pela sua incapacidade crónica de conseguir escrever em bom Português), pespegada ali a vermelho sobre preto para todo o mundo a ver. “Ocultos Buracos”. O único buraco aqui, e que não está de todo oculto, é aquele que ocupa o lugar de um cérebro na cabeça dos editores deste lixo.

Mas, apontámos (eu e gente conhecida) todos estes factos à editora, em linguagem branda e bem-educada. Tudo o que recebemos foram indicações de que capa e título eram provisórios. Muito bem, aguarda-se e veja-se o que daqui sai.

Pois bem. A palavra “provisório” em Portugal, já todos o sabem, adquire, ao fim de algum tempo, contornos de imutabilidade. Há edifícios instalados “provisoriamente” por esse país fora (o caso do Pavilhão Novo na FLUL, de pé “provisoriamente” há décadas), por exemplo. Portanto, a capa que era provisória, com todos os seus defeitos e violações de direitos de autor, tornou-se a capa definitiva. Caiam queixos em pasmo por esse mundo fora (Não há entidade que regule estas coisas? Enfim).

Depois saiu-nos um vídeo de apresentação do livro. Creio, com alguma certeza, que este vídeo passará a constar do currículo dos cursos de cinema como método de estudo para o que NUNCA POR NUNCA fazer em termos de edição cinematográfica. Esta pérola dos piores vídeos alguma vez feitos pode ser observada aqui:


Gostaram? Agradou-vos o ataque epiléptico? A Pastelaria agradece.

Até aqui só explorei as acções, que bordam o irracional, da Pastelaria. Mas as colectâneas são feitas de autores. Sem autores não há obra.
Como eu hoje estou numa veia de criar inimigos, deixo uma mensagem extensiva aos autores que participaram da colectânea: vocês foram todos uns idiotas.

Eu não quero saber que idade têm, se sabem escrever bem ou mal, se são boas pessoas ou não. Neste caso foram todos idiotas por igual e por atacado. Mas como eu não gosto de insultar ninguém sem explicar os meus motivos para tal, aqui vão eles:

– Conheço autores que participaram porque desesperam por ver o seu nome nalgum lado. Autores amadores, portanto. Esta atitude é mais que compreensível: eu sendo ainda um, entendo-a perfeitamente. Mas há um motivo para nunca se agir em desespero: dá asneira.Neste caso, associarem-se a esta editora e terem o vosso nome numa colectânea tão mal-feita não é mais-valia alguma quer no vosso currículo quer no mundo editoral. “Mas”, argumentarão vocês, “ao menos assim ganhamos alguma exposição”. Ah sim? Em que livrarias vai estar disponível o livro? Em que jornais ou revistas sairá a crítica à “obra”? My answer : NENHUNS. Esta editora têm tanta projecção de mercado quanto uma batata (then again, a minha própria editora também, mas isso é causado pela própria dimensão e logística do nosso projecto. Adiante). O vosso nome não vai alcançar ninguém e lá se vão os vossos sonhos de glória. Foram idiotas por desespero.

– Há outros de entre vós, autores da colectânea, que até podem ter algum nome e participaram na colectânea como forma de o cimentarem ou expandirem. Leiam o que escrevi atrás. O que vos passou na cabeça de se irem meter numa alhada destas, com gente desta categoria? Se já não são novatos no mundo das colectâneas e dos concursos, não sabem ver quando uma colectânea não vale de todo a pena e só vos vai estragar a reputação? Vocês são os idiotas por complacência. Complacência egoísta, mas complacência.

– Há por fim uma terceira categoria. É a da malta que não sabe de todo escrever. Acha que sabe, por amigos e família tal lhe dizem, mas não sabe. Ou são ainda demasiado “verdes”, ou não dão duas para a caixa. Acontece. Nem toda a gente nasce para a escrita, da mesma maneira que nem todos nascem para a música, ou para a pintura, ou para o desporto. Cada um é para o que sabe.

Infelizmente, há gente que não sabe escrever e está nesta colectânea. Eu sei isto por facto, porque eu revi um dos contos a serem expedidos (um conto que estava uma tragédia grega, um desastre) e esse conto ganhou lugar no calhamaço. Em 99 autores é matematicamente certo que isto terá acontecido mais vezes. Isto é sinal não só de que os editores não sabem avaliar ou editar texto, mas também de que anda muita gente sem qualidade iludida de que a tem. Vocês, meus caros, são os idiotas por ilusão. Não conseguiriam escrever um bom texto mesmo que a vossa vida dependesse disso. Mas como nunca ninguém vos abre os olhos para esse facto, vocês continuam a tombar todos nestes…ocultos buracos. *shivers*

Mas todos, no geral e sem excepção, são também idiotas por comodismo. Porquê? Porque sejam as vossas razões quais sejam, é impossível que não se apercebam da gigantesca MERDA que é esta colectânea, a todos os níveis. O nome é atroz, o design é inqualificável, os autores são demasiados, a qualidade dos textos é absurdamente díspar, e a editora que lança a colectânea é governada por incompetentes certificados e não tem projecção nenhuma. “Mas ao menos fomos editados!”, rejubilam vocês.

Eu bato-vos palminhas. Têm o vosso nome ligado a um livro que classificar de “mau” seria um elogio. Muito bem para vocês.

Idiotas. *abana a cabeça*

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