Nenhum livro está completo sem revisão, e esta é uma regra sem excepções, mesmo para TI, Senhor Perfeito. O título deste post assenta em quatro coisas muito fundamentais à execução de um livro e que vão acontecer quase necessariamente por esta ordem:

REVISÃO: o processo de revisão de uma obra é indispensável. Ninguém é perfeito e como tal ninguém escreve de maneira imaculada à primeira. Erros de todo o tipo abundam num texto inicial sem darmos conta; há partes a mais ou partes a menos, partes confusas ou partes que necessitam de ser mais bem clarificadas. Não tentes pensar nunca, ever, que a tua obra está “muito bem como está, thank you very much”. Não está. Há um motivo para os escritores demorarem a escrever (pobre Balzac, 15 horas a café e em pé deviam dar-lhe cabo dos ossos). E de tal maneira não está, que basta uma leitura cuidada do texto para te aperceberes disso.

DESILUSÃO: Eu não sei quanto a ti, Senhor Perfeito, mas pelo menos a mim custa-me bastante a ler as bacoradas que cometo na execução de um texto. Algumas são distracção simples, outras são asneiras do arco-da-velha que nós nem percebemos como aconteceram, ficando apenas com vontade de nos ir sentar a um canto da divisão a comer uma barra de chocolate imensa enquanto nos balançamos autisticamente para trás e para diante. Há com cada uma que nos chegamos até a questionar se porventura sabemos escrever em Português de todo ou se o proverbial bando de macacos com máquinas de escrever não faria melhor serviço. Aliás, olha para esta porcaria. Honestamente, tiraste a tua instrução num pacote de Chocapic? Onde posso contratar um bando de macacos por aqui?

REFORMULAÇÃO: Mas após os breves segundos em que ficamos embasbacados a contemplar as nossas estupidezes, é arregaçar as mangas e lançar mãos à obra. Não esquecer, desalojar os macacos antes, ou acabas a ter de pintar as paredes de novo.

Reformular é ao mesmo tempo uma tarefa ingrata e agradável. Ingrata porque obriga-nos a mudar algumas coisas que preferíamos manter, mas que em última análise são desnecessárias, mero gasto de papel; é custosa, desgasta uma pessoa psicologica e físicamente das horas que temos de estar concentrados a esmifrar e corrigir falhas na obra. Agradável, no entanto, de uma maneira comparável a exercício físico: terminado um capítulo uma pessoa recosta-se na cadeira, estala por tudo quanto é articulação e apercebe-se de que “sim senhor, esta parte está terminada”. Tu não, porque obviamente fizeste tudo bem à primeira, mas o comum dos escritores não se pode dar a esse luxo.

SATISFAÇÃO: Pronto, tens a obra finalmente terminada, pronta a ir para impressão. Satisfeito? You bet your sweet ass you are. Eu pelo menos sei que estou. Toma lá uma bolacha. Aceita. Quando fores famoso ninguém quer saber quão gordo és. Olha para o Martin!

Anyways, não há como descrever a sensação que advém de saber que temos uma obra completa diante de nós. Neste caso não falo do primeiro volume da série Downspiral, que esse ainda está a terminar a revisão; mas já tive essa experiência de outros modos, e sei que só vai melhorar no caso de um livro completo (especialmente um que demorou 4 anos a escrever). Portanto, se estás a terminar a revisão do teu texto, vai comprar um pacote de bolachas. Tu mereces.

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