Com o trabalho a avançar surpreendentemente perto do fim, e já com os capítulos mais antigos revistos e entregues a beta-readers, coloca-se agora uma questão particularmente espinhosa na vida de (digo eu) qualquer escritor amador na actualiade: o que fazer com um manuscrito?

A resposta óbvia seria “copiá-lo e enviá-lo a editoras”. É o sonho de qualquer escritor, ver-se contratado por uma editora com nome e presença no mercado, e ter press releases e anúncios e placards.

Mas uma análise da conjuntura editorial actual em Portugal é capaz de não nos deixar tão alegres. Num país em crise, onde um dos maiores autores de fantasia nacional (Filipe Faria) vendeu ao todo cerca de 60 mil volumes, talvez mais (e isto considerando que a sua saga tem bem mais que três ou quatro deles, e já foi iniciada há anos), e recebeu pouco mais de 1€ por cada volume vendido, torna-se imperioso reconsiderar o processo tradicional. E isto da perspectiva do autor. Da do público, fica um livro nas bancas a 16-18€ para ser vendido. Nem eu daria 18€ por um livro meu, mesmo que tivesse a certeza (que não tenho xD) de ter produzido uma obra-prima, a não ser que viesse com uma boa capa e não as capas-padrão das editoras portuguesas: papel grosso\cartão com arte de capa horrenda.

A grande questão que se coloca é então que métodos existem para escapar a esta cultura do livro sem cultura nenhuma, concentrada apenas no livro como método de lucro (opinião suportada pelos lobbies das indústrias do papel) e menos como bem cultural?

Afigura-se-me que a única solução passará por editar online, em formato digital. Criar um site, contratar artistas, tomar controlo directo sobre a nossa obra. Do ponto de vista do autor, o investimento inicial é certamente maior. Contudo, do lado do leitor, ficam disponíveis livros a menos de 5€ (ou, com um sistema de Pague-O-Que-Quiser, o leitor paga o que lhe apetecer e que achar que a obra merece, a partir de um certo limite mínimo), dinheiro esse que reverte todo e integralmente para o autor, ao invés de ser disperso por agentes, tipografias, editoras e demais. O autor torna-se no seu próprio editor, gestor e, se tiver capacidades, artista residente para os pormenores gráficos do livro.

Claro que não há bela sem senão. O mercado do livro digital ainda mal existe em Portugal (como não podia deixar de ser), e o livro-objecto aufere muito maior prazer de leitura e manuseabilidade que um documento digital. Torna-se uma manobra arriscada tentar vender um objecto que muita gente não tira prazer em consultar (ainda que, tenho a certeza absoluta, pegar num livro digital e imprimi-lo em casa ou numa papelaria resultaria num custo total inferior, que estimo ser à volta de 10€, ao de um livro de preço normal nas livrarias do nosso país).

Problemas, problemas *sigh* Bem, de volta ao trabalho!

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